Mensageiros do Inverno


No galho gelado, um cardeal pousou,  
vermelho como o laço que a criança amarrou.  
Trazia no bico um fio de luar,  
e no olhar, o segredo de quem sabe esperar.

Pelas janelas, voavam desejos,  
em papéis dobrados com sonhos e beijos.  
“Querido Pai Natal”, dizia a primeira,  
“traz de volta a magia verdadeira.”

Os cardeais, em cortejo discreto,  
levavam as cartas num voo secreto.  
Entre flocos e ramos de pinho,  
guiavam os pedidos com ternura e carinho.

E lá no céu, onde o tempo é gentil,  
as palavras dançavam num brilho sutil.  
Porque há quem diga — e talvez seja real —  
que os cardeais são carteiros do Pai Natal.

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